Como me tornei uma pessoa melhor adquirindo o hábito de ler e estudar.

2014 muita coisa aconteceu. Assim como todos os anos, fiz minha lista de desejos para o ano seguinte antes mesmo de terminar o ano presente. Diferente de muitas pessoas, costumo cumprir boa parte das minhas listas. Um dos desejos dessa lista era passar num concurso e esse concurso já tinha nome: Caixa Econômica Federal. Encararia conhecimentos bancários, teria finalmente que abrir os braços para português, pois, mesmo não gostando, todo ponto era necessário para passar, tiraria a preguiça de estudar matemática, enfim, teria que voltar a estudar. Ou aprender a estudar.

Além das matérias já citadas e algumas outras, tinha uma matéria que não teria como prever o que iria cair: Atualidades. Para saber sobre atualidades, teria que saber sobre tudo, teria que estar antenada aos jornais, revistas, teria que revisar "tudo" o que aconteceu no ano anterior, o que estava pra acontecer, a política, o ambiente, a economia, tudo possível que fosse importante para a área de trabalho ou para ser uma cidadã bem instruída. 

Apesar de já cursar a universidade e vez ou outra participar de congressos e palestras, nunca fui muito de acompanhar os jornais e nunca fui de ler um livro por muito tempo. Quando entrava em uma biblioteca, eu amava, ficava com o sentimento de querer ler um monte de coisa, pegava um livro, mal apreciava o livro, já ficava ansiosa para acabar de ler, ler o próximo e ter todo aquele conhecimento. É como se aquela ansiedade fosse fruto de saber que aquela fase de querer ler logo passaria. Mas por que isso acontecia?

Vamos e convenhamos, a educação no Brasil na maior parte dos casos não estimula a pensar, a se integrar ao restante do mundo ou participar ativamente de decisões importantes, como política. Tudo desde criança indicava que eu tinha uma tendência para ser estudiosa, curiosa, pensadora, mas aquilo nunca foi de fato impulsionado nem por mim, nem por minha família, nem pelas instituições de ensino que ingressei.

Era preciso recomeçar, aprender a aprender, aprender a ler, aprender hábitos novos. E eu estava decidida a isso. Por isso comecei. A partir daí,  o primeiro passo foi ler um livro sobre hábitos e eu escolhi "O poder do Hábito" de Charles Duhigg. Não me arrependi da minha escolha, o livro caiu como uma luva. Falava sobre os hábitos no indivíduo e na organização, em como as pessoas podem criar hábitos novos e como as pessoas podem parar pra pensar o porquê de ter determinados hábitos e assim mudá-los. E eu acreditava em tudo aquilo, por isso passei a questionar mais tudo o que fazia e a aplicar boa parte do que queria fazer.

A partir daí as coisas estavam muito mais fáceis, agora eu poderia passar no concurso. Lia os jornais todos os dias, assistia aulas online praticamente todos os dias, fazia exercícios, poderia discutir mais ainda sobre muitos problemas do mundo e da minha cidade, mesmo que esses problemas não fossem "meus". 

Então veio o dia do concurso e eu não me decepcionei, 15 mil candidatos e a aprovação. Estava lá entre os 32 primeiros uma pessoa que, apesar de ser responsável, apesar de estudar bastante em véspera de prova, nunca de fato gostou de estudar por si mesmo. Nunca aceitou os elogios de que era uma pessoa estudiosa só porque tirava notas boas. No resultado do concurso tinha sido tudo diferente, eu sabia que tinha me dedicado nos últimos 90 dias, eu sabia que eu tinha me dedicado praticamente todos os dias. Mesmo com um carnaval no meio do período. Eu tinha feito a minha parte e eu realmente tinha aprendido muita coisa. Aquilo sim tinha sido diferente. 

Mas novamente eu tinha feito tudo aquilo por causa de uma prova? A resposta veio com o passar do tempo. E 7 meses depois, adicionados aos 3 meses de estudo, eu acho que já posso responder: não, aquilo tudo não tinha acabado.

Nesses 10 meses eu aprendi finalmente a aprender por mim mesma, eu aprendi o quanto eu gosto de aprender, eu aprendi o quanto eu gosto de ler, eu não saio de casa sem um livro na mão. Eu li jornais todos os dias. Eu discuti diversas vezes com o presidente do Instituto sobre a economia de diversos países mesmo quando era apenas estagiária . Eu participo e falo sobre a política do meu país e de muitos outros. Eu entro na biblioteca ou livraria e eu posso desfrutar de uma boa leitura com calma, pois sei que não é só uma fase. E finalmente eu aprendi o quanto o sistema de ensino no Brasil é falho e só empurra aprendizado em nós e não nos ensina a pensar por nós mesmos. 

Mais do que aprender isso tudo, eu gostaria de mostrar para as pessoas o quanto elas podem ter um pouco disso e o quanto o mundo se torna mais bonito e as oportunidades muito mais abertas. E é por isso que eu os convido a pensar um pouco sobre os seus próprios hábitos e tentar encaixar aqueles que vocês, mais do que ninguém, acreditam que seriam bons hábitos para si.
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Esse texto foi escrito em Outubro de 2014 e hoje, em Maio de 2015, acrescentado mais 7 meses, posso reafirmar o quanto esse hábito de estudar de verdade mudou a minha vida. Além disso, fui aprovada em mais 3 concursos públicos. Espero que tenham gostado do relato e que possam levar algo de positivo para suas vidas.

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